sábado, 21 de novembro de 2009

SO'MINA ( ENTREVISTA )












ENTREVISTAS DO CAIXAO#43

Esse projeto das entrevistas c/ os pixadores aqui no nosso site e' uma forma de nois mesmos pixadores sabermos a historia de outros pixos contadas pelos propios caras.

Diferente do que acontece em revistas ou fanzines , aqui sera' publicado no site o que o entrevistado respondeu, s/ acrecentar uma so' virgula. Isso p/ poder evitar o que acontece em jornais quando os caras acabam publicando o que "eles" querem publicar ok?

A entrevista de hj e' c/ a Dina'
do SO'MINA um dos pixos mais antigos de SP.


- Quando e como vc comecou na pixacao? Teve um motivo especial?


SO' MINA - Comecei na pichação em 1989. Eu tinha 15 anos, estava cheia de vontade de viver, começava a conhecer muita gente e a sair pras festas, bailinhos, matinês em boates. Junto dos meus dois melhores amigos, o Alegria e o Rapozão (João), começamos por brincadeira de bairro a pichar alguns muros da Vila Sonia. Com alguns roles por perto de casa eu logo senti a energia do picho. Os dois não levaram a coisa a sério, mas eu sim! A sensação de pichar um muro, de colocar minha marca, me traziam muita alegria, satisfação e adrenalina. Logo fui convidada a entrar para um grupo de picho, os Pensativos, que tinha uns caras de bairros vizinhos. Puxa, eu me senti importante com o convite e dai em diante comecei a construir a minha história e me alimentar cada dia mais de muros, picos e rolês. Logo comecei a ir para os points - do Centro, da Lapa e do Borba Gato - e a sacar os pichos, os pichadores e a sentir toda a energia. Era muito gostoso frequentar os points, fazer amigos, ir pras festas dos pichadores, eu me sentia em casa nesse movimento. É, já não dava mais pra largar a latinha.



-O "SO' MINA" foi um dos primeiros grupos de pixacao so' de meninas, como foi bolado esse pixo? Conte a historia do "SO' MINA".

SO' MINA -No mesmo ano que comecei a pichar, em 1989, comecei a frequentar, na hora do almoço, o point da Marconi. Eu trabalhava ali no Centro, pertinho da Marconi e quase todo dia eu colava lá. Nesses rolês pros points, algumas amigas minhas começaram a me acompanhar e a curtir o movimento e, logo elas arriscavam os primeiros pichos. Eu ainda era do Pensativos, mas logo a idéia de um gang de mulheres ganhou força. Sai do Pens e organizei, junto com a Baçã, a Lia, a Karina, a Sabrina, a Claudinha, a Ligia e mais algumas meninas, um grupo feminino de picho, o Só Mina. Lembro do dia em que reunidas em uma praça na Vila Sonia, fechamos o nome da nossa gang e escolhemos a grafia do Só Mina. Nessa época, isso tudo era muito novo, não sei se já havia nesta época algum grupo de mulheres atuando de verdade. As garotas entravam na pichação por embalo, por namorar um pichador, por tá afim de um cara do picho e coisa e tal. Eu não, fui pichar e não era namorada de pichador, nem apaixonada por um dos caras. A essa altura eu estava apaixonada pelo picho. As meninas do Só Mina tomaram gosto pela coisa e os nossos rolês, bem divertidos e cheios de emoção, começaram a ganhar as ruas, muros e prédios de Sampa. Não acho que naquela época eu tivesse consciência de que estávamos ali, com essa história de um grupo exclusivamente de mulheres, fazendo a história do picho em São Paulo. Nós éramos movidas pela paixão pelo picho, mas também sentíamos o preconceito e a discriminação contra a mulher que rolava e, agora, olhando pra trás, acho que isso foi um fator marcante e que nos fez continuar com o Só Mina. Até as prezas (quando um outro pichador lança teu picho sem você estar junto) me incomodavam muito. Nós queríamos, disputar, de igual pra igual, espaço no mundo (masculino) do picho. A nossa alegria era lançar o nosso picho, fosse pequeno ou grande. Queríamos sentir o prazer de fazer, a satisfação sujar a ponta do dedo, de ser rápida com a lata e o melhor - ouvir o barulho da latinha e o barulho do spray.


Como era a pixacao na sua epoca?


SO' MINA -A pichação era o máximo pra quem pichava e um baita problema social pro resto da cidade. E diante de uma incompreensão total da sociedade, os pichadores e as pichadoras eram tratados como bandidos.

Quando eu estava na ativa, costumava recortar e guardar matérias e editoriais que saiam no Estadão (Jornal “O Estado de São Paulo”), que meu pai lia diariamente. Eu recordo da raiva e nojo que sentia ao ver o que se dizia sobre a gente. Ali, éramos bandidos, delinqüentes, marginais e, principalmente, vândalos. E quando eles traziam o outro lado, duas linhas eram o suficiente. Era como se a cidade fosse o máximo, com o ônibus bacana, o centro comunitário estiloso, a escola interessante, nosso patrão um pai e que nós, fossemos a podridão que estragava aquela coisa bonita, decente e humana. Uma P... mentira.

No dia a dia do picho nós vivíamos tomando batida da polícia, os meninos eram revistados, as vezes as meninas também. Eram jovens correndo de morador que sacava um revólver e dava tiro. Jovens que morriam. Os pichadores também apanhavam muito da polícia e, as vezes, de moradores quando eram pegos em um rolê. E quando juntava uma polícia mais escrota, eles nos tomavam as latas, pinos e tudo mais que fosse do picho, mandavam tirar a roupa, ou de roupa mesmo, obrigavam um pichador a pichar o outro – cabeça, corpo, pés, tudo.
Na minha época, os mesmos jornais que ferravam com a gente também nos davam ibope. Os pichadores viviam de olho nos jornais, principalmente nas fotos de capa. Nas materiais sobre a cidade, alagamentos, acidentes etc. sempre vinham fotos e de fundo um presente pros pichadores – apareciam vários pichos.

Também havia muita disputa entre pichadores. Então um atropelava o picho do outro. Lembro de uma briga longa dos Aloprados com o Só Mina. Não tinha conversa, nem perdão, por um bom tempo eu via o Só Mina durar um ou dois dias. Porque passado esse prazo, sempre algum Aloprado vinha e tratorava de rolo nosso picho. Mas acho que nós não devolvíamos não. O pior é que esse negócio rolou por um baita mal entendido ou vaidade mesmo. A briga começou por conta de um muro político. Na época em que haviam grandes terrenos baldios murados em Sampa e esses muros eram usados nas campanhas publicitárias dos candidatos. Bem, nós fizemos um grafite do Só Mina em um muro desses e, para tanto, apagamos um Aloprados, que depois lançamos no mesmo muro mais pra frente. Pra quê? – só rolo na gente em tudo que era muro da cidade! E olha que os caras eram nossos amigos (risos). Não lembro como, mas fomos perdoadas!



-Quando parou de pixar? Teve algum motivo especial p/ parar?


SO' MINA -Eu tinha 17 anos (logo ia fazer 18), também tinha um pouco de juízo e muito temor da justiça (principalmente a paralela). Bem, eu decidi que a maioridade seria o fim da minha adorável e (bem sucedida) carreira. Eu tinha vários amigos, maiores de idade, que foram pegos pichando e tinham tomado processo e até ficado preso um ou dois dias (sem julgamento mesmo). Eu não queria parar, mas mesmo muito chateada com isso, fui me afastando do movimento. Minha família também colocava muita pressão. Eu já tinha sido pega várias vezes, mas como eu era mulher, uma menina isso sim, era bonita, branca e sabia falar direitinho, me fazia de coitada etc e tal, a polícia sempre afrouxava. Eu não, mas várias ou todas as meninas do Só Mina tomaram banho de tinta, tiveram as mãos, cabelos e a roupa pichada. Mas eu já tinha passado por uns apertos e meu pai já tinha ido me buscar na delegacia algumas vezes. Pior foi quando cheguei em casa de viatura da polícia. Imagina a vergonha que eu e minha família sentimos. Não peguei processo, mas meu pai tomou muito sermão em delegacia e eu também ficava muito constrangida e com muito medo. E minha mãe sofria demais com as histórias. Com tudo isso, o clima na minha casa era muito ruim. Meus pais viviam me vigiando, controlando e era muito desconfortável pra todo mundo essa minha louca paixão.

Eu lembro que depois que parei, eu andava por Sampa olhando alucinada pros muros e picos. Eu andava de ônibus lendo tudo que via nas paredes e chegava a suspirar. E sentia muita, muita vontade de pichar, sentia falta da adrenalina. Pra falar a verdade, ao lembrar de tudo isso aqui e agora eu ainda sinto meu coração bater mais forte, a boca secar e os olhos brilharem. É como paixão, não tem razão que explique.


-Desses anos de pixacao quais foram os roles que vc fez que ficaram marcados na sua memoria como os melhores que vc ja' fez e os piores? E pq?


SO' MINA -O Mais Importante! Foi um rolê de dia que fizemos por Santo Amaro. Fomos em 7 ou 8 meninas do Só Mina e só meninas do Só Mina, nenhum homem foi convidado ou autorizado a nos acompanhar. Ah, e foi um role só de pico! Nós pegamos em uma única tarde vários prédios da Av. Santo Amaro. E foi o mais importante porque, por causa desse role, passamos a ser respeitadas como pichadoras. Pra quem duvidava da gente era um cala a boca geral. Escrevíamos Só Mina no pico e colocávamos o nome de todas as meninas que eram do grupo e nada de prezas nesse dia! Entrávamos em duas no prédio, íamos conversando, bem cheias de classe (risos) e passávamos batido pelos porteiros. Lá em cima, nos prédios em que conseguíamos chegar ao pico, eu tirava a roupa (pra não sujar e poder sair do prédio sem levantar suspeitas), ficava só de shorts e top, deixava a outra na escuta e de latinha lançava o nosso picho! Ai que sensação maravilhosa que eu tinha... sei lá, ainda tenho, uma alegria, uma juventude, uma realização!

O Melhor! Agora quando peguei com o DI, o Edifício Fontana di Trevi, ou melhor, o Amarelão da Francisco Morato, ali do lado do Hospital Iguatemi foi muito, muito maravilhoso.

Porque o pico era perfeito, era o pico mais cobiçado da Av. Francisco Morato, porque era meio em diagonal e se via a fachada do prédio de longe, era bem alto e nunca tinha sido pichado. Era um prédio de ouro! Nesse dia tava eu, o DI e a Sabrina que também era do Só Mina. A Sá fico lá embaixo e nós subimos.

Foi demais. Ah e o melhor, de novo foi o role certo pra impor respeito (no nosso caso não era ganhar, era impor respeito). Ali eu já tinha aprendido a lei do picho e o DI era o cara, mas o meu picho veio primeiro que os pichos do DI (rolou preza pro Pino, acho que pro Kidão e não lembro pra quem mais). Ah e claro, eu que fiz o picho do Só Mina e o Diná e o Sá! Foi de rolinho preto! Uau! Demais!

Fazer o picho e entrar no pico é que era legal, eu não achava legal quando alguém fazia uma preza. Mesmo porque, todo mundo sabia quem fez e quem ganhou a preza. Além disso, eu adorava pichar. O DI se ofereceu para fazer pra mim, mas eu não podia! Lancei o Só Mina, o Diná e o Sá. Todo mundo que é do picho sabe quem escreveu, conhece a letra do dono mesmo. Original é original e imitação é imitação – alguns até que enganavam bem. No meu caso, a minha marca não dava pra enganar – eu não me enganava e tinha fome de pichar. E o DI era bem maior que eu, então o Só Mina, o Diná e o Sá, ficaram um palmo mais curto que o picho dele! Pra mim motivo de orgulho. Não deixava dúvida de quem fez.

Bom, quando encontrei as meninas e contei a novidade foi festa e fizemos uma música parodiando uma música do Toquinho – Será que vou lembrar – acho que nunca esqueci (rs): Numa folha qualquer eu desenho um prédio amarelo/

E com cinco ou seis retas é fazer pichar o castelo - e ai vai, tenho o original até hoje guardado em algum lugar! (risos)

Ah, sei lá, fiz roles lindos com o Chefe e com o Psico, com o WTom, com o Toloco, com o Kidão e com as meninas. Nos divertíamos muito. Fomos até para Santos e depois Mongaguá – vixe, ali foi assustador. Porque chegamos em uma cidade virgem de picho e o que fizemos foi destruição total.

Bem, os piores foram os que eu rodei e meu pai teve que me buscar na delegacia. Eu sentia muito medo, tremia mesmo.



-Ja' sofreu algum tipo de preconceito por ser menina e pixadora? Tanto no meio como do lado de fora da pixacao?


SO' MINA -É acho que já contei isso.

Sem dúvida dentro da pichação eu senti mais preconceito e discriminação do que fora. As pessoas de fora usavam o argumento mais tradicional “isso é coisa de menino”, mas dentro é que era mais difícil. No fundo, acredito mesmo que a história do Só Mina pode ser compreendida como uma forma de luta contra o conservardorismo e o machismo da nossa sociedade. Óbvio que os caras do picho eram machistas, eles vinham de famílias e comunidades machistas, eram produto e produtores da nossa sociedade machista e pra piorar encontraram uma gang só de meninas que fazia coisas que em princípio não era pra menina – talvez alguns caras não se sentissem muito confortáveis com isso. Uma situação interessante era quando eu pegava um pico e no dia seguinte colava no point, sempre havia mais festa pra mim do que pros caras que tinham feito o mesmo. Ou seja, ela fez uma coisa mais difícil, embora fosse a mesma coisa. Agora, to aqui pensando como está hoje? Será que alguma coisa mudou? Não sei, porque hoje ainda sofro muito com o machismo por ai, só que agora não é mais por causa da pichação.



-Ainda hj acompanha algo da pixacao? Sente alguma diferenca da sua epoca? Quais?


SO' MINA -Não acompanho mais. Alias, comparando, tem muito muro vazio na cidade. Algo inimaginável na década de 1990.

O que ficou da pichação pra mim foi uma identidade com a cultura Hip Hop.



-A festa do "SO' MINA" sempre e' lembrada pelos mais antigos como uma das melhores que ja' teve ...conte um pouco sobre essa festa que na epoca agitou o mundo da pixacao.

SO' MINA -(Risos). É verdade?! Eu não sabia disso! Que orgulho dessas meninas!

Bem, eu estudei no Adolfo Trípoli, na Vila Sonia e lá tinha uns esquemas de alugar a escola pra festa de casamento, batizado e porque não: aniversário do Só Mina! Eu e as meninas fizemos uma vaquinha pra alugar a escola, chamamos uns amigos pra dar o som e chamamos São Paulo inteira pra festa. Minha mãe do céu! Era pichador que não acabava mais invadindo a Vila Sonia! Veio gente de toda São Paulo, Zona Sul e Zona Oeste, Norte e Leste. Ah, mas não sei porque acharam que foi tão boa.



-Sente falta da pixacao? OQ vc ganhou e perdeu no tempo em que pixou?Tem algum conselho a quem esta comecando hj ?


SO' MINA -Sinto saudades daquela época! Eu ganhei muito, conheci a cidade - não as ruas, mas as vielas, as quebradas, os morros; conheci a barbárie - vi a miséria, vi gente do picho morando na rua, morando em alojamento, conheci gente que morava em um barraco 3x2 em oito pessoas, um monte de irmãos pequenos e aquela “casa” no meio do nada, só terra e tristeza, fui na casa de amigos melhor sucedidos, a casa daí tinha parede de tijolo, uma tabua de porta e terra pisada no lugar de contrapiso. Isso tudo me marcou muito. Não esqueço o terror que foi aquilo. Tenho como uma foto em cores na minha memória cada uma dessas histórias. A minha casa tinha teto, janela e móveis simples, mas tinha tudo; eu tinha pai e mãe, meus irmãos trabalhavam, estudavam e namoravam. Minha família era muito simples, lutadora, conformada com a exploração e com esperanças de que as coisas iam melhorar. Eu com meus roles, tomei pé do mundo, pena eu não ter alguém para me ensinar mais do que isso naquela época. O mais perto da revolução que eu chegava era escutando e cantando Racionais, Dj Hum e Thaíde. Eu sinto por minha família ter sofrido com essas minhas andanças, para eles era muito vergonhoso, triste – mas hoje estou mais boazinha, minhas loucuras estão dentro da lei da selva. E acredito que aprendi onde é melhor colocar minha energia, minha força e toda minha indignação e desejo de construir um outro mundo.

No fundo eu não perdi nada. Enquanto muitos jovens assistiam sessão da tarde, seriados enlatados ou novelas, eu ganhava o mundo, conhecia gente e até me meti a desenhar por conta de uns e outros grafites do Só Mina que as vezes rolava. Na Vila Sônia não tinha muito a se fazer e eu, pra sair de lá e conhecer a realidade, encontrei a pichação. Dura e pesada realidade, cheia de adrenalida e de paixão.



- A ultima pergunta e' sempre um espaco aberto a vc mandar a sua ideia , comentar algo ....relembrar alguma historia, pessoas... fique a vontade!


SO' MINA - De verdade, eu pichava porque era a única coisa que eu encontrei pra fazer. Era o que pintou pra mim, com a energia que eu tinha e a fome de vida, o picho foi fundamental pra eu sobreviver acordada (e não anestesiada, esperando o tempo passar ou tendo uma gravidez indesejada na adolescência).

Acredito mesmo que se eu tivesse hoje 14 ou 20 anos eu não ia pichar, ia me envolver com dança, música, samba, cultura afro-brasileira, cultura tradicional pernambucana, maranhense, fazer circo, ia me envolver com o movimento hip-hop, com o afro-futurismo ou sei lá o que.

Naqueles tempos, só para sacar a mega caretice da cidade de São Paulo – que óbvio, continua conservadora e moralista - não tinha CÉU (embora hoje em dia esteja bem engessado), “Centro Comunitário é[ra] um fracasso” já dizia Racionais, se você curtisse rap era discriminado, grupos de dançarinos de break tinham pouquíssimo espaço, o grafite ainda não era arte (hoje em dia se aprende grafite na faculdade de artes), a escola era chata, autoritária e enfadonha e o Grêmio Estudantil, que podia ser uma esperança pra gente sair da toca e se organizar, nunca existiu nas escolas da minha juventude. Bom e o pouco que tinha, eu não tive acesso.

No fundo, a pichação pra mim era uma forma de revolta contra o sistema, era o ódio contra o trabalho de um mês - eram 160, 180 horas por mês e uma miséria no bolso - enquanto isso meus patrões esbanjavam roupas, relógios, carros, viagens pro exterior... e eu via meu pai desempregado e o papel higiênico acabando.

Eu tinha raiva, mas ainda não entendia essa lógica da riqueza, do acúmulo, da ganância e também não enxergava como o mundo podia ser diferente – um mundo justo, equânime e verdadeiramente humano pra todos.

Puxa, um conselho é coisa séria... prefiro contar o que eu faria hoje com toda gana de ser, fazer, estar, viver e tudo mais. Eu não assistiria as besteiras da TV, ocuparia meu tempo com tudo de bom que encontrasse pela frente, como o Radiola, o Manos e Minas e outras coisas bacanas da TV Cultura, do Canal Futura; eu viajaria sempre que pudesse; eu leria mais livros, jornais, revistas – mas não dá pra ser essas coisas da indústria cultural – vai ler Caros Amigos, Carta Capital, ver o site da Carta Maior, da Rede Mocambos; eu escutaria diferentes rádios, muitos tipos de música – e ia sacar o som da Nação (Zumbi); procuraria um Ponto de Cultura, uma ONG ou coisa assim, meio perto da minha casa (tem coisas legais nesses lugares – nem tudo, rs); conheceria a história de Zumbi, de Palmares e de Nelson Triunfo (o cara) - aproveitava para colar na Casa do Hip Hop de Diadema; iria uma noite de sexta ou sábado pra Augusta ver todas as tribos convivendo e entraria numa festa com o som do Mamelo Sound Sistem ou do Curumim; teria menos certezas e mais dúvidas; não acreditaria no sistema capitalista, na exploração de um ser humano sobre o outro, na sociedade credit card e tudo mais que tem essa lógica de ficar rico e ter mais e mais. E de forma alguma acreditaria na “verdade que me vendem diariamente” e que tentam me fazer acreditar. É, com tudo isso, eu não ia querer, nem teria tempo pra pichar muro hoje em dia. Mas na minha época eu não sabia de nada disso, acho mesmo que ninguém nem tentou me contar. Bom, meu corre agora é saber de tudo isso e mais e mais e mais...

Pra fechar, quero agradecer ao Bacal por me convidar a contar um pouco da história do picho de Sampa e dar os parabéns pra ele e pra toda galera que apoiou esse projeto. Vida longa pra história e pro conhecimento!

clique sobre as imagens p/ ver aumentada.













































16 comentários:

  1. obrigado pela entrevista que e' uma forma de mostrarmos as variadas epocas e historias da pixacao.

    Valeu DINA' por dividir conosco um pouco da sua historia... e desculpe pela enchecao de saco rsrsrs

    Muitas saudades daqueles tempos de adolescente e das baguncas c/ a galera toda daquela epoca de ouro.

    Muito sucesso e paz na sua vida Didi!

    Xamego...

    TUMULOS * bacal

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  2. GRANDE DINÁ,UMA LENDA VIVA DA PIXAÇÃO DE SAMPA
    VALEU DINÁ POR VC TER PARTICIPADO AKI DO NOSSO CAIXÃO,ACHO QUE VC NEM SE LEMBRA DE MIM,MAS TE CONHECI NA LAPA EM 92,A LI ERA AKI DA QUEBRADA DE PINHEIROS E A SÁ EU ANDAVA COM O IRMÃO DELA E ELA É P9 TBM,TROMBEI ELA LÁ NO JAPÃO,MAIS AI EU MOREI NA VILA SONIA POR 2 ANOS DE 07 E 08,,EM 2010 VOLTAREI AI PRA NOSSO QUEBRADA,SE PÁ VC VIU UNS TUMULOS AI QUE EU FIZ NÉ?
    BJO PRA VC E MAIS UMA VEZ OBRIGADO FAMILIA,UM DIA AI NOIS SE ESBARRA EM ALGUMA FEIRA DA VILA SONIA

    TATEI-TUMULOS

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  3. Bacal! Tatei!
    To muito feliz em participar com vocês! Agora vou ler as outras entrevistas. Eu decidi não ler as outras antes.
    Sim, vi uns pichos novos por ai! Passados 20 anos continuo olhando pros pichos nas quebradas!
    Ah, tive com a Sabrina e a Sakura (Sá)ontem! Contei da entrevista. Elas ficaram muito contentes. Elas estão ótimas!
    Beijo grande, saudades, Diná (SÓ MINA)

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    1. Eu Ainda me lembro de vc um beijo
      LERO

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  4. Muito legal essa entrevista

    Realmente a Diná mandou bem

    Sou o Sergio do MALIGNOS nascido e criado na Vila Sônia e nessa época eu ainda não pichava mas já acompanhava os pichos da quebrada (OS QUASE NADA,PENSATIVOS, LUCA, LUBA, SÓ MINA, CAFONAS, CICLONES, etc) Aliás tenho o maior respeito por esses pichos antigos na qbrada pois foram eles que me influenciaram, atualmente MALIGNOS, OS Q.N, PENSATIVOS e LUCA se tornaram uma família, pois a essência da pichação esta aí pois o picho um dia irá apagar e quem eh de verdade no caso da Diná ninguém esquece e sempre vão falar bem, não tive a oportunidade de conhecê-la pessoalmente mas tenho uma amiga (Rita Leão) que eu conheci na faculdade e que é mto amiga dela desde essa época.

    Um salve para o Bacal e para o Chatei do TUMULOS que estão representando nesse site.

    MALIGNOS_ser
    100%Vila Sônia
    Família Cirrose
    "Os Melhores"

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  5. lembro da decada de 90 os comentarios das minas que tavam pegando varios predios,ainda mas com o #DI# que na minha opnião o maior pixador de sp .
    parabens a essas minas ,pq num é facil ser mulher em um mundo que era só de homens ...

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  6. Salis - comecei a curtir pixação em 88 os primeiros que conheci foi de uma gangue de rockeiros "filhos da seputura" depois disso comecei a observar pixação e o nome que me marcou foi: "Só Mina" em um vãozinho perto do chão do lado do teatro municipal. O que eu posso dizer que para o pessoal da z/O todos conheciam.Interesante que pelo que eu entendi foi uma carreira curta (2 anos) mais que repercurtir muito. Fiquei encantando com o modo que você encherga a vida, porque claramete percebe se que dentro de você explode a vontade de uma sociedade mais justa, concerteza na epoca você poderia ser uma grande artista. Mais lembre se a vida continua e com ideais tão lindos, quem sabe um dia voce não seja uma representante do nosso estado, poque precisamos de pessos com ideias nobres que nem voce. Que Deus te Abençoe!

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  7. Meu , mandou muito bem na entrevista uma mulher que ainda tem na veia as origens da pixação , que sabe porque pixou e sabe porque a pixação nunca vai acabar ! Muito racional nas palavras. Muito legal mesmo .

    H * C kiko

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  8. MUITO BOA ESSA ENTREVISTA COM A DINA.

    O MODO DE SE EXPRESSAR DIGNO DE UMA GDE PESSOA.
    ISTO QUE DA GOSTO DE VER, HUMILDADE E SIMPLICIDADE JUNTOS.

    GRANDE ABÇ.......URBANOS Z/L

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  9. Puxa, estou surpresa e contente com a repercusão da entrevista! Esse finde estive em um churrasco que o Elias (Os Quase Nada - Ly) e mais uma galera das antigas do picho organizou lá na Vila e tinha uma galera que acompanha o blog e leu a entrevista. Foi muito legal trocar idéia com os pichadores, alguns ainda na ativa e relembrar das histórias e histórias que não acabam mais.
    AMC, o DI era mesmo o cara! Não sei quem foi o maior, mas certamente ela pertenceu a elite dos pichadores de sampa - o cara almoçava muro e jantava pico! (rs). O DI era o cara que sempre tinha ou rapidinho aparecia com uma lata pro rolê!
    Quero agradecer a galera que leu, comentou, elogiou. É isso ai, atitude sempre!
    bjus pra todo mundo! Diná (Só Mina - sempre).

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  10. locals edu....

    sem palavras a entrevista!
    muito boa.

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  11. salve dina....
    satisfação em te conhecer la na festa,a sua entrevista ficou da hora..historia na pixação...
    falowww...
    malditos bio
    http://www.fotolog.com.br/malditos1992

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  12. Olá a todos, esse blog está incrível! Mas essa entrevista está a mais bem escrita de todas, Diná, parabéns, você tem um talento excepcional para a escrita, deveria escrever um livro - aliás, por favor, escreva mais! Você quebra tudo! Esse prédio que você fez com o DI foi marcante, eu achava por exemplo que o PIno estav junto hehe você trouxe uma revelação...sou amigo do Dino, se você tiver contato com ele nos falamos! Com todo respeito aos outros entrevistados e suas histórias, fica meu elogio aqui para essa escritora urbana! Obrigado a todos

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  13. irada a entrevista bem contundente! Ela disse realmente tudo o que róla nos bastidores da pixação!Parábens ao grupo SÓMINA. Arrebentaram geral nos anos 90...eu estava lá!
    (OTM)~mr.x~Os+Simples

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